Professor com deficiência física pede ajuda para reactivar escolinha comunitária

António Pedro, apesar da deficiência dos membros inferiores, criou uma escolinha comunitária que ajudou na aprendizagem de centenas de crianças que se encontravam fora do sistema de ensino, entre 2017 e 2024, no bairro Marconi, município do Hoji ya Henda, em Luanda. 

Denominada “Cantinho da Sabedoria”, a escolinha, que durante sete anos transformou a realidade de centenas de crianças que viviam privadas de frequentar escolas de ensino formal, encontra-se agora inactiva “devido à falta de condições estruturais e financeiras”. António Pedro sente-se comprometido em continuar com seu projecto e ajudar mais crianças fora do sistema de ensino, e por isso pede apoio para “criação de um espaço condigno e sustentável para dar continuidade ao nobre trabalho social”. 

António Pedro, 39 anos de idade, também conhecido como “Professor MT”, contou ao RECURSO que, no ano lectivo 2023-2024, a escolinha, que funcionava num local arrendado, já se apresentava em condições bastante precárias, acrescentando que o espaço era coberto de algumas chapas de zinco nas laterais e dispunha apenas de uma sala de aula para mais de oitenta alunos da iniciação à 6.ª classe [ver como apoiar]. 

Segundo António Pedro, esses alunos, entre 5 e 14 anos de idade, estavam expostos aos fortes raios solar, de segunda a sexta-feira, por falta de sombra. Relata ainda que os petizes assistiam às aulas sentados em bancos de madeira corridos e faziam do joelho o apoio para copiar o que o professor, apoiado sobre duas cadeiras de plásticos devido à sua condição física, escrevia no quadro. De acordo com Professor MT, a situação contribui para a desistência de vários alunos, para a fraca adesão à matrícula e, consequentemente, para uma baixa na arrecadação de receitas.

“A fraca adesão e a limitada arrecadação de propinas impossibilitaram a melhoria das infra-estruturas, sendo que os poucos recursos adquiridos foram destinados essencialmente à minha subsistência e ao pagamento da renda do espaço onde funcionava a escola. No fim do mesmo ano lectivo [2023-2024], a instituição foi obrigada a cessar as suas actividades naquele local, por solicitação do proprietário do quintal”, desabafa.

Apesar das más condições, para muitos pequerruchos do bairro, o “Cantinho da Sabedoria” era o único contacto com a realidade escolar, já que a maioria se encontrava fora do sistema de ensino, de acordo com Professor MT, que tinha igualmente a iniciativa como o seu único ganha-pão.

“A escola era a minha única fonte de renda. Não dava muito dinheiro, mas com o bocado que se conseguia arrecadar, dava para suprir algumas necessidades. Desde que deixou de funcionar, estamos a passar por muitas dificuldades de vária ordem, principalmente no que toca à alimentação e ao pagamento da renda de casa”, deplora.

Com o ensino médio concluído em Ciências Económicas e Jurídicas, António Pedro tem também formação profissional em Jornalismo Radiofónico, Pedagogia Geral e Didáctica, Inglês e Informática, mas encontra-se desempregado e está numa situação de aflição. Conta que já pediu apoio ao Ministério da Acção Social, Família e Promoção da Mulher, mas não surtiu efeitos desejados.

“Havia dirigido uma carta à Sua Excelência Ministra da Acção Social, Família e Promoção da Mulher, na qual se apresentavam as seguintes necessidades prioritárias: materiais de construção civil (chapas, ferros, barrotes e cimento), destinados à conclusão da sala de aula existente, que funcionava em condições precárias, bem como à construção de mais duas salas; quatro quadros e, no mínimo, 150 carteiras escolares; livros didácticos para apoio ao processo de ensino-aprendizagem; um computador e uma impressora; uma cadeira de rodas, com vista a facilitar a mobilidade do responsável pela instituição”, relata.

António Pedro revelou ainda que, entre todos os meios que solicitou, o único apoio disponibilizado em 2023 foi um triciclo, que também se encontra já em condições de degradação, precisando assim de uma substituição.

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Um Comentário

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  • Boémio Gaspar

    Abril 11, 2026 / at 9:58 pmResponder

    Lamentamos pela situação que passa o professor MT, que conjuramos ser pessoa grata junto à comunidade. Temos fé que receberá apoio da sociedade civil e governamental.

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