Lançada campanha para transladar corpo de estudante angolano que morreu afogado em Portugal

RecursoDiásporaAbril 2, 2026

Uma campanha para angariação de fundos que ajudem na translação do corpo de um estudante angolano falecido por afogamento na Covilhã, Portugal, foi lançada ontem, 1, nas redes sociais.

Com a possibilidade de se contribuir em kwanza e euro, a campanha destina-se a reunir, só em Portugal, um mínimo de cinco mil euros para se arcar com os custos com a funerária contratada para transportar o corpo de Faustino Muetunda da Covilhã para Lisboa e de Lisboa para Luanda. Na capital angolana, seguir-se-ão outros procedimentos e gastos para transladação do corpo para o Lubango, terra natal de Faustino, onde se realizará o enterro [ver como contribuir].

De 32 anos, completados três semanas antes da sua morte, Faustino Muetunda faleceu na tarde de terça-feira, 31 de Março, na sequência de um afogamento que ocorreu quando o jovem, na companhia de amigos e colegas, a participar de um piquenique perto de barragem do Corge, na Covilhã, mergulhou para passar de uma margem para outra e acabou por sucumbir a meio do trajecto.

Celestino Bastos, jovem angolano a quem a família de Faustino Muetunda concedeu uma procuração para lidar com os processos burocráticos e administrativos junto das autoridades portuguesas, explica ao RECURSO que Faustino era um “nadador experiente” que, várias vezes, em época de verão, havia mergulhado naquele local, pelo que não exclui a possibilidade de a morte ter sido causada pelas baixas temperaturas da água do rio.

“Ainda não temos os resultados da autópsia, para sabermos se a morte foi causada por ataque cardíaco, uma hipotermia ou outra razão diferente”, declara Celestino Bastos, que confirma ter “apoio institucional” do Consulado e Embaixada de Angola em Portugal. “Cederam-nos [no Consulado de Angola em Lisboa] um espaço onde será colocada uma foto para quem quiser prestar homenagem ao Faustino”, detalha Celestino Bastos, antes de se referir a uma vigília que será realizada na terça-feira, 7, na Covilhã.

Faustino Muetunda era investigador e doutorando em Ciência e Engenharia da Computação na Universidade da Beira Interior (Portugal ) e Universidade de Vigo (Espanha). Entre outras áreas, a sua actividade como pesquisador era focada na relação entre a inteligência artificial e a saúde mental.

Quem com ele privou lamenta a partida de uma pessoa “simples” e “bastante amiga dos seus”. Por exemplo, Flávio Cambulo, presidente de Associação de Angolanos na Covilhã, em declarações ao RECURSO, descreve Faustino como “uma pessoa doce” e “muito acolhedora”. Já a Universidade da Beira Interior (UBI), na sua página oficial de Facebook, manifesta “profundo pesar” pelo falecimento do estudante e endereça “as mais sentidas condolências e votos de pesar” à família e aos amigos.

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