
Uma campanha para angariação de fundos que ajudem na translação do corpo de um estudante angolano falecido por afogamento na Covilhã, Portugal, foi lançada ontem, 1, nas redes sociais.
Com a possibilidade de se contribuir em kwanza e euro, a campanha destina-se a reunir, só em Portugal, um mínimo de cinco mil euros para se arcar com os custos com a funerária contratada para transportar o corpo de Faustino Muetunda da Covilhã para Lisboa e de Lisboa para Luanda. Na capital angolana, seguir-se-ão outros procedimentos e gastos para transladação do corpo para o Lubango, terra natal de Faustino, onde se realizará o enterro [ver como contribuir].
De 32 anos, completados três semanas antes da sua morte, Faustino Muetunda faleceu na tarde de terça-feira, 31 de Março, na sequência de um afogamento que ocorreu quando o jovem, na companhia de amigos e colegas, a participar de um piquenique perto de barragem do Corge, na Covilhã, mergulhou para passar de uma margem para outra e acabou por sucumbir a meio do trajecto.
Celestino Bastos, jovem angolano a quem a família de Faustino Muetunda concedeu uma procuração para lidar com os processos burocráticos e administrativos junto das autoridades portuguesas, explica ao RECURSO que Faustino era um “nadador experiente” que, várias vezes, em época de verão, havia mergulhado naquele local, pelo que não exclui a possibilidade de a morte ter sido causada pelas baixas temperaturas da água do rio.
“Ainda não temos os resultados da autópsia, para sabermos se a morte foi causada por ataque cardíaco, uma hipotermia ou outra razão diferente”, declara Celestino Bastos, que confirma ter “apoio institucional” do Consulado e Embaixada de Angola em Portugal. “Cederam-nos [no Consulado de Angola em Lisboa] um espaço onde será colocada uma foto para quem quiser prestar homenagem ao Faustino”, detalha Celestino Bastos, antes de se referir a uma vigília que será realizada na terça-feira, 7, na Covilhã.
Faustino Muetunda era investigador e doutorando em Ciência e Engenharia da Computação na Universidade da Beira Interior (Portugal ) e Universidade de Vigo (Espanha). Entre outras áreas, a sua actividade como pesquisador era focada na relação entre a inteligência artificial e a saúde mental.
Quem com ele privou lamenta a partida de uma pessoa “simples” e “bastante amiga dos seus”. Por exemplo, Flávio Cambulo, presidente de Associação de Angolanos na Covilhã, em declarações ao RECURSO, descreve Faustino como “uma pessoa doce” e “muito acolhedora”. Já a Universidade da Beira Interior (UBI), na sua página oficial de Facebook, manifesta “profundo pesar” pelo falecimento do estudante e endereça “as mais sentidas condolências e votos de pesar” à família e aos amigos.






