
A administração municial do Nehone, na província do Cunene, reconheceu “excesso de zelo” ter ordenado a participação obrigatória de todos os professores no acto central das comemorações do Dia da Paz e da Reconciliação Nacional, que se assinala a 4 de Abril.
Segundo comunicado da direcção da Educação do Nehone, emitido a 31 de Março, para além da participação obrigatória, os professores teriam de pagar três mil Kwanzas cada um para a aquisição de camisolas, com as quais deveriam apresentar-se também obrigatoriamente no evento político. O respectivo valor seria transferido para a conta pessoal de Maria de Lurdes Chissolukombe, cujo eventual vínculo com a administração não é especificado.
Professores e munícipes do Nehone imediatamente contactaram o RECURSO a questionar se será legítimo a administração local exigir a participação e o pagamento da respectivas camisolas.

Entretanto, a secretaria geral da mesma administração divulgou hoje, 2 de Abril, uma nota de esclarecimento onde, para além de atribuir um “excesso de zelo por parte dos colaboradores [da] Administração”, refere que a participação “é um dever cívico-patriótico” que, “apesar de ser importante não é obrigatório, tão pouco o uso de t-shirt’s”.
Antes de finalizar com um pedido de desculpas, a nota informa que a administração municipal “anula todos os efeitos emanados da orientação constante do referido Comunicado” da direcção da Educação.
Nehone, até 2024 comuna do Cunhama, foi promovido à categoria de município no âmbito da última divisão político-administrativa, nos termos da lei n.º 14/24, de 5 de Setembro. É constituída por duas comunas, nomeadamente Nehone e Evale.






