
Domingos da Cruz integra centro de investigação alemão financiado pela Fundação Alemã para a Investigação, onde vai colaborar com académicos de mais de uma dezena de países na construção de novos paradigmas filosóficos.
Filósofo, pesquisador e activista angolano pelos direitos humanos foi seleccionado para integrar o Centro de Estudos Avançados em Filosofia da Universidade de Hildesheim, na Alemanha, o GloPhi – Philosophizing in a Globalized World. A informação foi divulgada esta semana pelo centro no seu portal institucional e enviada à redacção do RECURSO.
A selecção coloca o investigador angolano no centro de um dos projectos académicos mais ambiciosos da filosofia contemporânea europeia: a construção de uma filosofia verdadeiramente global, que questione os limites do cânone eurocêntrico e reconheça tradições intelectuais historicamente marginalizadas.
Em Hildesheim, Domingos da Cruz desenvolverá investigação dedicada à descolonização da filosofia e à pluralização do pensamento filosófico à escala global, numa instituição financiada pela Fundação Alemã para a Investigação (Deutsche Forschungsgemeinschaft – DFG) e que reúne académicos de todo o mundo.
A sua voz junta-se à de investigadores provenientes da Coreia do Sul, Japão, África do Sul, Martinica, Colômbia, México, Nigéria, Irão, Egipto, Camarões, Itália e Índia, entre outros países — um colectivo orientado para construir novos paradigmas filosóficos através do diálogo intercultural e decolonial entre diferentes tradições do pensamento humano.
O trabalho do grupo inscreve-se também na criação da Enciclopédia de Fontes Filosóficas de Hildesheim (HePS – Hildesheim Encyclopedia of Philosophical Sources), plataforma internacional que reúne textos, práticas filosóficas e tradições intelectuais de diferentes regiões e línguas do mundo, acompanhados por comentários de investigadores especializados.
Para além da investigação, o GloPhi promove conferências, seminários e workshops destinados a aproximar a produção académica do público em geral – um espaço onde a filosofia deixa de ser propriedade exclusiva do Ocidente para se tornar, na prática, um projecto colectivo e plural.






