Protestos no ISKA: direcção garante que realiza defesas de monografias e nega envolvimento na detenção dos membros do MEA

Após mais de 900 estudantes do Instituto Kangonjo se terem manifestado contra a morosidade na avaliação das monografias nesta segunda-feira, 4, a direcção do Instituto reage e diz que não detém competências legais para ordenar detenções.

Em comunicado, um dia após o incidente, o Instituto Superior Politécnico Kangonjo (ISKA) informa que o processo de conclusão de fim de curso decorre na normalidade e que as monografias estão a ser avaliadas por um júri especializado, com recurso à tecnologia de detenção de plágio.

“Importa ainda destacar que o ISKA realiza cerimónias de outorga de graus de forma ininterrupta desde 2015”, lê-se no comunicado a que o RECURSO teve acesso.

Contactado por este jornal, um estudante daquela instituição do ensino superior, que preferiu anonimato, considera ser pretexto da instituição o processo de verificação de plágios e conta que há estudantes que, mesmo tendo já dia marcado para a defesa de fim de curso, ainda assim viram as suas datas canceladas e sem novos prazos.

“Por exemplo, há colegas que estudaram comigo que já tinham pagado o valor da monografia e já tinham data de defesa ou pré-defesa, mas a direcção do Instituto cancelou. Até ao momento, não explicaram os motivos do cancelamento”, disse.

Ao RECURSO o estudante fez saber ainda que “a Associação dos Estudantes [do ISKA] está parada, não está a falar nada, e alguns até digo que já foram favorecidos, e é por isso que já não estão muito na causa de outros estudantes”.

Membros do MEA já em liberdade

No dia dos protestos, dois membros do Movimento de Estudantes Angolanos (MEA) haviam sido detidos pela Polícia Nacional, um no local do incidente e outro, o presidente do Movimento, já na esquadra policial, quando procurava buscar informações sobre a detenção do seu ‘pupilo’, conforme reportou o líder daquela organização estudantil, Simão Formiga. 

“Depois da detenção, a instituição apareceu como queixosa, mas afinal não houve nenhum processo. No dia seguinte, por volta das 18 horas, criam um processo e enviam-no à Procuradoria do Comando Municipal do Sequele, e transferiram-me também para lá. Entretanto, na esquadra onde estive detido, também havia Procuradoria. No Comando Municipal, o procurador disse que não podia dar prosseguimento do processo porque na esquadra de onde eu vinha também havia procurador, por isso é que fui ouvido apenas dois dias depois”, esclareceu Formiga, que, juntamente com o seu ‘pupilo’, já se encontra em liberdade desde quarta-feira, 06.

Acusada de ser a causadora das detenções, a direcção do ISKA, instituição situada no município do Sequele, refere no comunicado que não detém competências legais para o efeito.

“Relativamente aos incidentes ocorridos no dia 4 de Maio, a Direcção esclarece que os integrantes do MEA não se identificaram nem procuraram obter informações junto dos órgãos da instituição”, lê-se.

Em nota, o Instituto acrescenta que “uma parte considerável dos participantes não possuía vínculo com o ISKA, tendo-se registado perturbações à ordem e ao normal funcionamento do espaço académico” e que, em face do desacato às orientações do pessoal da segurança interna, “foi solicitada a intervenção das autoridades competentes”.

O RECURSO tentou contactar a direcção do Instituto Superior Politécnico Kangonjo a fim de obter informações sobre o número de monografias submetidas à avaliação, bem como a previsão de datas de defesa dos trabalhos de fim de curso, mas sem sucesso.

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