
A direcção do Instituto Hélder Neto, em Moçâmedes, capital do Namibe, instaurou um processo disciplinar contra o professor Edson Kamalanga por suspeitas de utilizar as suas aulas para recrutar os estudantes para a organização política onde milita. O visado, afecto ao Partido Liberal, nega as acusações e denuncia perseguição política.
A direcção do Instituto Médio Politécnico Marítimo e Pesqueiro de Moçâmedes n.º 54, conhecida como Instituto Hélder Neto, na cidade de Moçâmedes, instaurou um processo disciplinar contra Edson Anastácio Bambi Kamalanga, professor de Língua Inglesa da escola e secretário provincial do Partido Liberal (PL). O processo, formalizado em ordem de serviço de 17 de Abril, assinada pelo director da escola, Domingos Napoleão Machado, assenta na alegação de que o docente terá desviado o período lectivo normal para recrutar alunos para a agremiação política que lidera na província.
De acordo com o documento de abertura do processo a que o RECURSO teve acesso, a direcção da escola constituiu uma comissão de inquérito para “averiguar a verdade sobre a presumível infracção cometida” por Edson Kamalanga, suspeito de “desviar as aulas para recrutamento político”. No documento é invocado o regime disciplinar dos funcionários e agentes administrativos e as atribuições conferidas pelo decreto presidencial n.º 93/21, de 16 de Abril, nos termos do artigo 16º. n.º 3, alínea I).

Contactado, Edson Kamalanga começou por protestar contra a abertura do próprio processo, porque “não fui previamente ouvido sequer” e rejeitou categoricamente a acusação.
“Nunca recrutei alunos na sala de aulas. O que tem acontecido é que, fruto dos meus trabalhos, como influencer e activista social que sou, os estudantes já crescidos e muitos deles já maiores de 18 anos têm visto os meus trabalhos e às vezes sentem-se inspirados. Os alunos vão ficando apaixonados e automaticamente e pedem para se filiarem ao Partido Liberal. Tenho-lhes dito que aqui na instituição não podemos falar destes assuntos, quem quiser saber mais sobre o assunto deve ser fora da instituição”, justificou-se.
O professor de Inglês e político foi mais longe durante uma transmissão em directo na sua página do Facebook, em que reproduziu o teor dos documentos disciplinares e expôs a sua leitura dos acontecimentos perante os seus seguidores.

“Estou a ser injustiçado, estou a ser perseguido dentro da minha instituição”, declarou Kamalanga durante a live.
O docente alegou ainda que a escola tem acolhido regularmente militantes e actividades do partido MPLA. “Até autocarros da instituição são cedidos para actividades do MPLA. Que culpa eu tenho?”, questionou em directo.
Relativamente ao papel do instrutor designado para o processo, identificado no despacho como Lucas Muanda Sassi, Kamalanga manifestou discordância com a forma como foi notificado. “Foi via mensagem pessoal do colega Sassi”. Por isso questionou a legitimidade do procedimento.
Edson Kamalanga anunciou que pretende apresentar queixa junto do Gabinete Provincial da Educação e da Procuradoria-Geral da República por identificar irregularidades no procedimento disciplinar.
Contactado, o instrutor do procedimento disciplinar disse que, por tratar-se de um processo interno, não pode prestar declarações públicas, mas garantiu que segue a tramitação normal.






