Escolas inacabadas no Luena: crianças estudam debaixo de árvores enquanto obras permanecem paralisadas

Sentadas no chão ou em troncos usados como carteiras, centenas de crianças continuam a assistir às aulas debaixo de árvores por falta de escolas na capital da província do Moxico.

Devido à falta de financiamento atempado, problemas contratuais e aumento dos preços de materiais de construção, apontadas como as maiores causas da paralisação das obras no município do Luena, no Moxico, várias escolas projectadas permanecem inacabadas há anos, com estruturas abandonadas expostas ao sol e à chuva.

Esta realidade tem afectado directamente o direito à educação de muitos alunos no Luena. Quando chove, as aulas são suspensas ou realizadas em condições ainda mais precárias. O calor intenso ou o vento forte transformam o ‘espaço escolar’ num ambiente desconfortável, comprometendo a concentração e a qualidade do ensino.

Pais e encarregados de educação lamentam profundamente esta situação. Muitos expressam frustração e revolta ao verem os filhos expostos a estas condições indignas, enquanto obras de escolas que poderiam resolver o problema estão paralisadas por falta de continuidade ou de financiamento atempado. 

“As nossas crianças merecem salas de aula decentes, carteiras e um tecto. Não é justo que estudem como se estivéssemos em tempos de guerra”, desabafam alguns encarregados, que pedem maior celeridade na conclusão das infra-estruturas.

De acordo com uma notícia do Jornal de Angola de 11 de Abril de 2026, o Governo Provincial do Moxico prometeu “concluir todas as obras de escolas inacabadas e reabilitar outras”, com o objectivo de facilitar o acesso à educação na região. A medida faz parte de uma estratégia mais ampla de recuperação de infra-estruturas sociais paralisadas, muitas herdadas de programas como o Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM).

Entre as escolas integradas no Luena destacam-se o Instituto Médio Politécnico no bairro Alto Luena, a Escola Primária “Comandante Kwenha”, no centro da cidade, e a Escola Primária do bairro Tchifuchi, projectada para ter 19 salas de aula.

Além dessas, outras estruturas nos bairros Sinai Novo e Sangondo e em zonas periféricas também aparecem em publicações locais como obras paralisadas, com moradores a partilharem fotografias que mostram o estado de abandono em que as escolas se encontram.

Razões das paragens e expectativas

Falta de financiamento atempado, problemas contratuais e inflação são as causas mais apontadas para a paralisação das obras. A população de Luena, cansada de promessas repetidas, aguarda agora acções concretas: prazos claros, reinício efectivo das obras e fiscalização rigorosa.

Enquanto as betoneiras não regressarem aos canteiros e as crianças não entrarem em salas seguras e adequadas, o direito à educação de qualidade continua adiado no coração do Moxico. Pais e encarregados de educação esperam que, desta vez, as palavras do Governo se transformem rapidamente em cimento, tijolo e, sobretudo, em melhores condições para os seus filhos — longe da sombra incerta das árvores. 

Impacto na educação do Moxico

O Moxico enfrenta graves desafios na educação. Em algumas áreas, a sobrelotação das escolas existentes e a falta de vagas agravam-se devido às obras inacabadas. O Sindicato dos Professores no Moxico já havia denunciado em 2024 a precariedade nas escolas do Luena, incluindo situações em que alunos ainda recorrem a aulas ao ar livre. 

Ao nível nacional, o Orçamento Geral do Estado prevê recursos para concluir centenas de escolas inacabadas, mas a execução tem sido lenta. No programa de Governo, a conclusão destas obras é assumida como prioridade para expandir o ensino até à 9.ª classe.

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