Namibe: Greve de professores ameaça ano lectivo no município do Saco Mar

Docentes denunciam desvio ou retenção de subsídios de zonas recônditas, já cabimentados pelo Ministério das Finanças. SINPROF avança com ultimato e ameaça paralisar as aulas do terceiro trimestre.

No município do Saco Mar, na província do Namibe, instalou-se uma crise sem precedentes, que coloca em risco o ano lectivo de milhares de alunos. Em causa está um braço-de-ferro entre a classe docente e a administração local, devido ao não pagamento de subsídios de isolamento e de instalação, direitos assegurados por lei aos professores que trabalham em zonas de difícil acesso.

Segundo Custódio Andrade, professor do ensino geral no Saco Mar há mais de sete anos, a transição administrativa do município trouxe consigo direitos que não estão a ser cumpridos pela governação local.

“Desde que o Saco Mar passou à categoria de município, no âmbito da nova divisão administrativa, foi classificado como sendo do tipo C. Por lei, os municípios do tipo C a E são considerados recônditos”, explica Andrade. E reforça: “Temos subsídios em atraso que nunca foram pagos na totalidade. Recebemos apenas três meses, mas faltam seis meses de subsídios de isolamento, bem como o subsídio de instalação, que corresponde a 50% do salário e que não recebemos até ao momento”.

A denúncia ganha contornos de gravidade quando o professor aponta para uma disparidade no tratamento entre funcionários públicos do mesmo município.

Custódio Andrade | Foto: DR

“A administração local confirma que o subsídio é nosso por direito, e o Ministério das Finanças disse que já cabimentou esses valores. A própria administração do Saco Mar já recebeu para os seus funcionários, mas a educação ainda não”, denuncia o docente. “Angola tem prova disso num discurso da Ministra das Finanças, que afirmou que os valores para zonas recônditas já foram cabimentados. Se não recebemos, e o dinheiro não foi para estradas, onde está esse dinheiro? Não é justo que uns se beneficiem e outros não.”

Segundo uma fonte do SINPROF, perante o impasse, o sindicato no Namibe decidiu partir para a ofensiva. A organização prepara uma resposta institucional que poderá paralisar o sistema de ensino na região, na fase mais crítica do calendário escolar.

“Tivemos uma reunião e vamos dirigir uma carta, nesta segunda-feira, dia 27 de Abril, à administração municipal e à direcção municipal da educação. Trata-se, praticamente, de um caderno reivindicativo”, garante a fonte oficial do SINPROF, que acrescenta: “Vamos estabelecer prazos e datas. Se não obtivermos resposta, vamos aderir à greve, paralisar as aulas e, consequentemente, as provas e todo o terceiro trimestre”.

A ameaça de greve deixa o ano lectivo em risco, enquanto os professores aguardam que os fundos, alegadamente já transferidos pelo governo central, cheguem finalmente aos bolsos de quem assegura a educação no interior da província.

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