Os Recursos dos meus imaginários

O primeiro imaginário é mesmo o da amplitude da gaiola. Quando a chamada para o Recurso foi feita, o questionamento foi saber de antemão a amplitude da gaiola que acondicionam os nossos imaginários vertidos em discursos. Entre nós, os da terra, o eterno dilema e com o tempo aprendemos que os projectos editoriais são sempre uma gaiola na relação com os poderes das realidades.

A diferença está na ousadia e na extensão do “peito” dos promotores dos projectos editoriais. Por isso, Saber da amplitude da gaiola é um exercício necessário para a calibragem das asas.

Não é auto censura. É como no provérbio afro-brasileiro – não vem de garfo que hoje é dia de sopa.

Outro imaginário é o tudo ou nada para o triunfo da pauta. Quando estudante, o recurso, dos poucos que fiz, era mesmo uma sessão de tortura. Não era a esperada possibilidade de melhorarmos para a certificação porque para os professores, o recurso era só mesmo uma demonstração de poderes abusivo, como diria Milando. Uma pessoa num recurso da 6ª ou 8ª classe perdia o controlo da própria vida.

Há também o imaginário da possibilidade do diálogo para a epifania dos avaliados. Como professor, o recurso é um espécime de dialogo livre para que os avaliados libertem os pensamentos encarcerados na pressão do passa ou reprova dos exames. Feito uma última porta para seguir a caminhada, naquele instinto fatal, imagino o estudante a dizer – fiz isso e aquilo, mas não deu; agora será ao meu estilo. Pior do que esta, não fica. Essa é a minha ilusão quando convido estudantes para o recurso. Vamos fazer diferente para ver se funciona.

Este último é o que fundamenta a minha relação com os recursos. É a possibilidade de nos recriamos, de recriamos nossos engenhos, sempre na crença da falibilidade da nossa condição de pessoas que, depois de natural, nos tornamos projectos historicamente construídos. O Recurso, assim esperamos, pela trajectória dos promotores no jornalismo e sua relação com as causa da educação, é a esperança da oficina real para a recriação das nossas ideias no pensar e agir da educação em Angola.

A realidade actual sinaliza as dores e os distúrbios auto infligidas nos nosso pensar ou não pensar sobre a educação como processo que sustenta uma determinada civilização. Reconhecer as invasões do colonialismo e seus vírus no nosso pensar e agir é empreitada central da educação.

Não é nosso devaneio, é conteúdo da pauta dos movimentos para a independência dos nossos povos. 50 anos depois, façamos o exame de recurso.

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