
No ano académico 2023-2024, as mulheres representaram 50,3% dos estudantes bolseiros em 2024, comparativamente a 2019 (36,91%), 2021-2022 (47%) e 2022-2023 (39%), em todo o país. Homens lideraram o número de estudantes matriculados em todos esses anos.
O anuário estatístico de 2023-2024 divulgado pelo órgão ministerial que rege o ensino superior revela que das 30.012 bolsas internas para os cursos de licenciatura em todo o país, entre instituições públicas e privadas, entre novos estudantes e continuantes, 15.098 foram atribuídas a estudantes do sexo feminino, ao passo que 14.914 bolsas beneficiaram estudantes do sexo masculino, representando pouco mais de 50,3% e 49,7%, respectivamente.
De acordo com os anuários estatísticos divulgados há pouco menos de duas semanas pelo Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação (MESCTI), a que o RECURSO teve acesso, esses dados constituem uma novidade, se comparados aos dos anuários anteriores na categoria natureza, nível de graduação, instituição de ensino superior e sexo.
Esta é a primeira vez, em quatro anos académicos, que estudantes do sexo feminino ultrapassam estudantes do sexo masculino no que concerne à atribuição de bolsas de estudo internas de licenciatura, pois que em 2019, com 11.191 (43,61%), em 2021-2022, com 12.616 (47,84%), e em 2022-2023, com 11.483 (39,17%), as mulheres foram relativamente menos beneficiadas que os homens.
Se na licenciatura o número de estudantes do sexo feminino ultrapassou ligeiramente estudantes do sexo masculino que se beneficiaram de bolsas de estudo internas no ano académico 2023-2024, o mesmo não se pode dizer em relação aos cursos de especialização, mestrado e doutoramento das instituições do ensino superior públicas e privadas.
A tendência para a supremacia dos homens na atribuição de bolsas de estudo continuou, haja vista que as mulheres se beneficiaram de 296 (em 2019), 175 (em 2021-2022), 242 (em 2022-2023) e 232 (em 2023-2024) bolsas, ao passo que os homens se beneficiaram de 891 (em 2019), 722 (em 2021-2022), 897 (em 2022-2023) e 693 (em 2023-2024) bolsas de estudo internas de pós-graduação.
Embora o número de estudantes do sexo masculino matriculados naqueles quatro anos (respectivamente, 167.349, 162.192, 166.747 e 170.392) tenha sido maior que o número de estudantes do sexo feminino, com 140.960 (em 2019), 154.968 (em 2021-2022), 164.216 (em 2022-2023) e 170.141 (em 2023-2024), dados do MESCTI referente à atribuição de bolsas de estudo pode atiçar debates sobre a hegemonia masculina em relação ao sexo feminino e o lugar da mulher na sociedade angolana.
Aliás, o facto de haver mais estudantes do sexo masculino nas instituições do ensino superior, quando a população angolana continua a ser maioritariamente feminina, segundo dados do Censo de 2024, pode bem justificar esse padrão.






