
Em entrevista exclusiva ao RECURSO, o responsável máximo da instituição esclareceu que a medida adoptada é a de reprovar todos os estudantes envolvidos na suposta fraude apenas na disciplina de Matemática.
O presidente do Instituto Superior Politécnico Intercontinental de Luanda (ISPIL), Samuel Wassuca, negou a informação de que a sua instituição teria expulsado ou iniciado um processo de expulsão dos mais de 100 estudantes supostamente envolvidos num alegado esquema de contratação de um indivíduo para realizar uma prova de Matemática de todos eles.
“Não é verdade sobre a expulsão. Nós até estamos surpreendidos com esta questão que o senhor jornalista levanta, para saber por que razão os estudantes foram expulsos. Ninguém foi expulso. As aulas têm o seu ritmo normal. Não fomos notificados por nenhum estudante, nem pela associação dos estudantes, que os representa e zela pelos factos. Não temos nenhuma informação ligada a este assunto”, esclareceu Samuel Wassuca.
Conforme o RECURSO já tinha noticiado, trata-se de um caso que tem que ver com a realização da prova do segundo semestre, envolvendo um indivíduo que se teria infiltrado em várias salas para realizar provas em nome de terceiros.
“A verdadeira informação é que, de facto, foi detectado um jovem que fez prova de vários estudantes. Já era uma rotina que eles concluíram que deviam pagar dinheiro a alguém, que entrou na nossa instituição à revelia, mandatado por um nosso estudante, e este passou a fazer o seu negócio, vendendo provas. Fruto disto, foram detectados os estudantes e a instituição teve de aplicar uma medida”, justificou o presidente.
Os estudantes dizem não fazer sentido todos serem penalizados, uma vez que eles próprios já identificaram os seus colegas que pagaram e, por isso, exigem à direcção que penalize apenas os mandantes.
“Não é justo a direcção da escola exigir que todos nós paguemos a multa de 25 mil kwanzas, quando foram apenas alguns que contrataram o jovem para fazer a prova por eles. Nós temos provas em que o indivíduo confessa quem foram as pessoas que pagaram para ele fazer as provas [de Matemática]. Até do ponto de vista lógico, não é possível uma pessoa fazer provas de várias pessoas ao mesmo tempo. Não é possível”, argumentam.
A direcção do instituto, entretanto, nega que tenham sido apenas alguns estudantes que comentaram a fraude. O responsável do ISPIL afirma que ele próprio chegou a manter contacto com os estudantes visados e que tem prova da sua afirmação.
“O próprio senhor que foi actuado citou os nomes dos estudantes. Nós pegámos a lista e fomos ao encontro dos estudantes. Eles levantaram-se e, inclusive, pediram perdão. E nós temos tudo isso em arquivo”, afirmou Samuel Wassuca.
Questionado sobre a afirmação dos estudantes de que eles têm vídeo em que o jovem que, supostamente, fazia prova de todos, menciona apenas nomes de alguns estudantes, Samuel Wassuca disse que os estudantes em nenhum momento se dirigiram à instituição para apresentar tais provas que atestam que uma parte deles está ilesa.
“A questão aqui não é a multa, mas sim a cadeira. Todos os estudantes infractores foram reprovados na cadeira em questão porque era um exame do semestre. Para poderem fazer a cadeira no primeiro semestre do próximo ano académico, devem pagar uma taxa, um emolumento de 25 mil kwanzas”, sublinhou o presidente do ISPIL.
Sobre o prazo do pagamento do valor, que seria até ao dia 5 deste mês, o académico assegurou que foi prorrogado.
O Movimento dos Estudantes Angolanos (MEA) reforça que não ficará indiferente à situação e que já mobilizou meios para intervir, incluindo acompanhamento jurídico, com vista a assegurar o respeito pelos direitos dos estudantes.
“Já estivemos no ISPIL, mas não fomos recebidos pela direcção. Agora, com esta situação das expulsões de que fomos informados, nós estaremos lá para ouvir ambas as partes e encontrar uma solução”, assegurou o presidente do MEA, Simão Formiga.






