
Estão a ser alvo de ameaça de processos disciplinares os professores que divulgaram um vídeo no qual aparecem alunos da Escola Primária de Cambale e Kakolo, município do Mussende, província do Kwanza-Sul, a terem aulas debaixo da chuva devido às condições precárias das salas. SINPROF local denuncia “actos de intimidação”.
A Administração Municipal do Mussende, na província do Kwanza-Sul, está a intimidar os professores que denunciaram as condições precárias na escola primária de Cambale e Kakolo, localizada no quilómetro 40 do referido município, segundo nota do Secretariado Municipal do Sindicato Nacional dos Professores (SINPROF), emitida ontem, 14.
Em declarações ao RECURSO, Manuel Calumbo, secretário provincial do SINPROF e da CGSILA no Kwanza-Sul, garantiu que a Administração Municipal confirmou a intenção de instaurar processos disciplinares após a repercussão dos vídeos que mostram a degradação das infra-estruturas escolares.
“Eu já abordei o secretário municipal do SINPROF no Mussende, e ele confirma que teve uma audiência no gabinete do Administrador Municipal onde foram advertidos sobre essas situações e, segundo eles, o senhor administrador baixou uma orientação à direcção municipal no sentido de instaurar um processo disciplinar”, afirmou o sindicalista.
O SINPROF repudiou a perseguição e argumentou que “a denúncia é um dever cívico” e que “os professores não são responsáveis pelas infra-estruturas”.
“Julgamos que o administrador deveria agradecer e, se calhar, daí dispor das condições que o município tem para acudir então aquela comunidade, mais do que avançar com actos intimidatórios como são esses que julgamos também não estarem cobertos de legalidade para o efeito”, defendeu Manuel Calumbo.
A situação no Mussende reflecte um problema crónico na região, onde a precariedade das escolas é generalizada. Manuel Calumbo, que conhece a região, denunciou a existência de cenários piores e que perduram desde 2020.
“Já flagrámos professores a darem aulas debaixo de árvores nas vias para quem vai ao São Lucas”, lamentou.
O sindicalista acusa o Governo de tentar esconder as falhas, em vez de actuar, sublinhando a necessidade de atender ao défice de infra-estruturas que obriga alunos a estudarem em salas improvisadas.






