
Um modelo de apoio académico com preparação gratuita, mentoria e orientação vocacional para facilitar o ingresso e melhorar o desempenho no ensino superior. Eis o essencial do memorando entre o Magistério Kimamuenho e a Escola Superior Pedagógica do Bengo, projecto que, na fase de ensaio, envolve mais de 200 estudantes.
Um total de 265 estudantes finalistas do Magistério Kimamuenho passa a integrar um novo modelo de preparação para o ensino superior, com o objectivo de travar taxas de reprovação nos exames de acesso. A iniciativa resulta de um memorando com a Escola Superior Pedagógica do Bengo (ESPB), no âmbito do Projecto Vencer.
A medida surge num contexto em que o insucesso no acesso ao ensino superior continua a ser associado à fraca preparação académica dos candidatos. O programa agora lançado pretende inverter este cenário com uma abordagem estruturada e gratuita.
Os estudantes abrangidos terão acesso a aulas preparatórias, orientação vocacional, sessões com famílias e acompanhamento directo por docentes e estudantes universitários, uma combinação que visa melhorar o desempenho académico e aumentar as probabilidades de ingresso.
“O grande desafio é a falta de preparação. Muitos estudantes enfrentam dificuldades logo no momento do exame”, afirma o director do Magistério Kimamuenho, Arlindo João Paulo, assegurando que a instituição está empenhada em mobilizar os 265 finalistas a aderirem ao programa.

Do lado da ESP-Bengo, o foco está na eficácia da intervenção, segundo Teresa Costa, a directora-geral, que explica que o sucesso será avaliado com base em indicadores concretos, como o número de estudantes aprovados, matriculados e que conseguem manter-se no sistema de ensino superior.
“Não queremos apenas preparar para o exame. Queremos garantir que os estudantes entram, permanecem e concluem os seus cursos”, sublinha.
Já o coordenador adjunto do projecto, Kengana João, destaca que a iniciativa responde a um problema de desigualdade no acesso ao ensino superior, num sistema marcado por exames nacionais exigentes e competitivos.
“Estamos a trabalhar para colocar estes estudantes em igualdade de condições com outros candidatos do País, através de preparação académica e mentoria”, afirmou.
Apesar de, nesta fase inicial, o projecto abranger apenas a província do Bengo, a sua implementação envolve estudantes de diferentes origens, uma vez que o Magistério Kimamuenho acolhe alunos de várias províncias.

Entre os estudantes, a percepção é de esperança e oportunidade. Por exemplo, Maria Ventura Guedes, finalista, acredita que o programa poderá ser decisivo para concretizar o sonho universitário. “Vamos ter preparação estruturada e acompanhamento. Isso pode fazer toda a diferença”, diz, apontando a Matemática como uma das áreas onde espera evoluir.
Já Dionísio António Sebastião considera que o projecto vai além do acesso, contribuindo também para a formação integral dos estudantes. “Não é só para passar no exame, é conhecimento para a vida, porque este projecto representará uma oportunidade para nós.”
Com 265 estudantes directamente envolvidos, o projecto funciona como um teste prático a um novo modelo de transição entre o ensino médio e o superior. Os resultados poderão definir não apenas o futuro destes candidatos, mas também a possibilidade de replicação da iniciativa noutras regiões do país.






