
A Escola n.º 3011 (ex-4062), localizada no sector do Alto Cemitério, no Icolo e Bengo, funciona em péssimas condições, apresentando problemas como a falta de carteiras, professores, segurança, iluminação, água potável e saneamento básico, o que tem comprometido não só a qualidade do ensino e aprendizagem como também a saúde pública no recinto escolar.
Localizada no sector do Alto Cemitério, Kifangondo, município do Sequele, no Icolo e Bengo, a Escola n.º 3011 (ex-4062), a única instituição pública de ensino naquela circunscrição, carece de professores e funciona com menos de cem carteiras distribuídas em sete salas de aula, a maioria das quais sem tampos.
Uma fonte deste jornal, que prefere o anonimato, denuncia que, “no período da tarde, por exemplo, a escola tem sete turmas, mas só há três professores presentes: duas da 4.ª e um da 6.ª classe. As outras turmas são suportadas por estagiários. São os estagiários que asseguraram aquela escola”, revela, acrescentando que, antes de os estagiários chegarem, o subdirector pedagógico daquela instituição também leccionava devido à carência de professores.
Com receio de ver aumentado o número de alunos sem aulas após o fim das actividades dos estagiários, a fonte deste jornal apela a que esta situação seja resolvida o mais rápido possível. “Espero que, após esta reportagem, haja algum resultado. Aquela escola está mesmo bem desorganizada. Os meninos estão a passar mal. O professor da 6.ª é o que está sempre lá. Ele fica tipo leva a escola nas costas”, enfatiza.
Outro problema que a escola regista tem que ver com a iluminação irregular e a falta de segurança, o que espoleta um conjunto de situações desagradáveis, como assaltos a estudantes e furtos de meios pertencentes à instituição, conforme fez saber o coordenador do sector do Alto Cemitério, Mateus Dombe.
“A segurança e a iluminação aqui nesta escola não são eficazes. O segurança que trabalha aqui só faz dia, e os alunos da 7.ª, 8.ª e 9.ª classes são obrigados a entrar às 17 horas e a sair às 19 horas por falta de segurança. Os meninos são forçados a estudar em pouco tempo para evitarem também os assaltos, que já tem havido. Já roubaram as portas, janelas, e das carteiras já nem se fala”, denuncia o coordenador do sector do Alto Cemitério.
Para o responsável daquela zona, o maior de todos os problemas é a falta de, ao menos, um segurança à noite, sem o qual acredita que nada vai funcionar. “Pode-se comprar materiais, colocá-los na escola, na mesma vão ser furtados porque à noite ninguém está lá para ver o que se está a passar”, vaticinou.
Mateus Dombe disse ainda que, no mês de Março, se reuniu com o director da escola e com encarregados de educação. Fez saber que, na reunião, se recomendou à direcção da Escola n.º 3011 que levasse tais preocupações à Repartição Municipal da Educação do Sequele e/ou ao Gabinete da Educação do Icolo e Bengo, mas que não houve nenhuma informação sobre tal recomendação.
“Ainda assim, criámos um mecanismo com a comunidade para ver se conseguimos contribuir algum valor para recuperarmos certas carteiras que estão danificadas. Esta é a única escola pública desta zona. Nós temos lugares onde se pode construir outras escolas, mas agora cabe à administração ou ao governo da província disponibilizar-se para fazer este trabalho”, rematou.
Além disso, o jornal RECURSO constatou que, nesta escola do ensino primário e do primeiro ciclo do ensino secundário, já não jorra água há algum tempo. O descaso com a infra-estrutura reflecte-se no facto de parte da canalização estar inoperante e a casa de banho dos alunos não apresentar condições mínimas de uso, impossibilitando-os de realizar as suas necessidades fisiológicas básicas, o que compromete a saúde pública no recinto escolar.
Vítor Zau, morador da mesma rua onde está localizada a escola, contou ao RECURSO que na instituição já não jorra água porque uma das vizinhas desligou, a partir da casa dela, uma das tubagens que leva água até à escola, supostamente por causa de um entupimento. O senhor tem dois filhos a estudarem na mesma escola e diz sentir as dificuldades dos alunos na pele.
“As crianças que têm mais dificuldades são as que estudam no período da manhã. São os mais pequeninos. Durante o intervalo, batem à porta dos vizinhos para beber água”, denunciou.
Entretanto, a comissão de moradores contraria as declarações de Vítor Zau. A instituição que representa a população da circunscrição, conhecida também como “Zona das Dez”, diz que se trata se uma ruptura e que a situação da água está já a ser resolvida.
Na constatação in loco, o RECURSO verificou igualmente que a sala dos professores não tem nenhuma cadeira e que o único meio que existe naquele compartimento é uma mesa. Contactado por este jornal, o director da instituição, sem gravar entrevista, simplesmente negou parte das denúncias, assegurando que a escola tem o corpo docente completo e que alguns não leccionam porque os estudantes estagiários é que têm estado a fazê-lo. Prometendo, a seguir, que a falta de carteiras seria resolvida muito em breve, porém, até ao momento, a situação continua a mesma.
Por sua vez, Orlando Lundoloqui, director do Gabinete Provincial da Educação do Icolo e Bengo, afirmou ter o domínio da situação da província, avançando que foi feito já um balanço das necessidades em relação às carteiras nas escolas da província.
“A província do Icolo e Bengo tem necessidade de cerca de 27 mil carteiras. Nesta altura, nós temos em curso um processo de fornecimento de carteiras, que começou no ano passado, em que já fornecemos cerca de três mil carteiras. É claro que não se pode fazer tudo ao mesmo tempo e não vai ser num ano em que somos província que teremos tudo fechado”, detalhou.
Questionado se a Escola n.º 3011 será contemplada, respondeu que sim, mas sem avançar datas. “Todas as escolas com necessidades de certeiras serão contempladas porque temos consciência de que a educação se faz com condições efectivas para que as crianças estejam lá comodamente e aprendam bem”, sublinhou.
Sobre a falta de uma equipa de segurança à noite, Orlando Lundoloqui referiu que a forma de se resolver esta situação é a existência de concurso público para se admitir pessoal para diversas áreas.
O responsável máximo da educação na província do Icolo e Bengo avançou ainda que o projecto do Executivo “Escola Amiga da Criança”, enquadrado no Programa Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM), pressupõe que as crianças se sintam bem estando na escola. “Sentem-se bem porque têm carteiras, quadros ecológicos, e em condições, que temos estado a colocar já nas nossas escolas, para afastar o perigo do uso do giz”, explicou.
Denominada “Candelabro”, a Escola n.º 3011 (ex-4062) foi construída de raiz em 2005 com apenas três salas. Em 2021, a EPAL reabilitou a instituição no âmbito da sua responsabilidade social, ampliando-a para sete salas de aula.






