
De acesso gratuito, curso é composto por 10 aulas. Direitos Humanos e direitos sexuais e reprodutivos das mulheres destacam-se numa formação que as promotoras aconselham os homens também a aderir.
As associações Biso e Ondjango Feminista lançaram no mês passado um curso online sobre os direitos das mulheres e meninas em Angola. De acesso grátis, o curso já está disponível nos canais do YouTube das duas organizações e comporta um total de 10 aulas gravadas, com temas que vão da violência de género aos direitos sexuais e reprodutivos.
As lições dirigem-se tanto a mulheres como a homens, por se entender que a defesa dos direitos das mulheres é uma responsabilidade colectiva. O projecto nasce de uma parceria entre a Biso, plataforma cultural e educativa angolana com percurso em colóquios internacionais, festivais literários e debates críticos; e Ondjango Feminista, colectivo angolano feminista autónomo de activismo e educação dedicado à advocacia e realização dos direitos humanos das mulheres e meninas em Angola, autor do Informe anual TUBA sobre violência de género e condição social das mulheres no país.
Em nota enviada ao RECURSO, a Biso e o Ondjango Feminista referem que “o curso dialoga com conteúdos reunidos em algumas das edições do Informe TUBA e propõe uma experiência formativa dinâmica e acessível, bem como reafirma a necessidade de se continuar a abordagem sobre as diferentes problemáticas que afectam as vidas de meninas e mulheres em Angola e a busca por caminhos para as solucionar”.
Entre os principais objectivos do curso, destacam as duas associações promotoras da formação, estão a necessidade de facilitar a compreensão sobre os direitos das mulheres no contexto histórico, político e social de Angola, assim como promover o debate sobre dinâmicas de poder baseadas no género, violência estrutural, políticas públicas e participação cívica, envolvendo o maior número possível de jovens na construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
“Conhecer um direito não resolve, por si só, uma injustiça , mas permite reconhecê-la, questioná-la, procurar ajuda e exigir mudanças. É este o convite que o curso deixa: conhecer, refletir e participar”, concluem a Biso e o Ondjango Feminista.
O acesso ao curso pode ser feito através dos seguintes endereços https://www.facebook.com/share/v/1BuCU95xtG/?mibextid=wwXIfr, https://www.instagram.com/reel/DcMDwYksWLB/?igsi=MTUwMjNhOXN3YjQ5OQ== e https://youtu.be/JOyKqM2W-yY.
Para Lea Komba, presidente da Associação Biso, “não é correcto” resumir a formação em direitos das mulheres e meninas em Angola ao público feminino. Segundo esta activista, o curso “é também para homens”, visto que comporta conteúdos que funcionam como “um alerta”.

“Vivemos numa sociedade em que a violência sobre a mulher é tão normalizada, que os homens também devem olhar para o curso com interesse”, diz Lea Komba, reforçando que não basta que um homem se defina a si mesmo como uma pessoa não violenta; é necessário também que ele esteja preparado para identificar e/ou prestar algum auxílio a mulheres que sofrem ou venham a sofrer algum tipo de violência ou violação dos seus direitos.
“Na sociedade angolana, ainda faltam conhecimentos por causa da falta de informação. Há uma grande necessidade de falar sobre estas questões”, conclui a presidente da Biso.






