
Um jornalista com o mínimo de 10 anos de experiência ininterrupta conhece, pelo menos, um colega que considera aluno. Este último, por sua vez, olha para o primeiro como mentor. Às vezes, recorre-se a termos como “mestre” ou “meu eterno editor”. Há até casos em que o jovem jornalista, mesmo já exercendo cargo de chefia num órgão concorrente, continua a tratar o antigo chefe por “director”. As expressões são, enfim, variadas, mas todas elas convergem ao remeterem o dia-a-dia de uma redacção para um cenário de sala de aulas. Aliás, não é por acaso que a docência é provavelmente a única actividade que um jornalista pode exercer sem ferir as regras da profissão, nos termos do código de deontologia e ética. Tudo o resto esbarra numa intransigente lista de incompatibilidades.
Era, por isso, expectável haver uma coabitação mais satisfatória entre estas duas importantes profissões – jornalista e docente –, mas, para o caso de Angola, a realidade tem provado o contrário. O jornalista, a pensar no pragmatismo que lhe vai cobrar o editor, resume tudo em “Educação”, e aí vem o professor ou outro profissional do sector, furioso, lembrar que “Educação e Ensino não são a mesma coisa”. O repórter, na busca por um título porventura mais apelativo, aposta no efeito sonoro da aliteração e escreve “Colóquio defende reforma da Reforma Educativa”, e lá surge o docente a queixar-se da generalização, ressalvando, por exemplo, que o colóquio “abordou outros assuntos até muito mais importantes”.
Não estamos a defender que a imprensa se deveria vergar à vontade dos académicos. Aliás, George Orwell defendia que o Jornalismo se resume em publicar o que alguém deseja ocultar, porque o contrário seria publicidade. Contudo, deixando para um outro debate a relatividade da frase do autor de 1984, assumimos haver, sim, uma enxurrada de casos, alguns vividos na primeira pessoa, a que poderíamos recorrer para exemplificar a malcontente relação entre jornalistas e parte considerável dos actores do segmento do Ensino e Educação. E o RECURSO, enquanto órgão especializado, surge para equilibrar a balança. Pois, tal como uma publicação de Economia pode satisfazer os anseios de especialistas sem violar as inegociáveis balizas do rigor, da ética e do pluralismo de que deve viver o Jornalismo, também um meio sobre Educação e Ensino pode ser referência para estudantes, professores e demais profissionais do ramo sem beliscar as regras da profissão.
Mas o RECURSO, conforme se lê no seu estatuto editorial, quer ir mais longe. O jornal possui um âmbito de actuação que não se limita ao exercício fiscalizador de dar notícias e contar histórias. A publicação está concebida para ser uma referência para estudantes, professores, pesquisadores e todos os que pretendam obter informações gerais ou específicas sobre as áreas de Educação e Ensino. Por isso, além das secções, digamos, eminentemente jornalísticas, o site congrega uma biblioteca virtual, a Alexandria. Nome inspirado num grande centro de saber do antigo Egipto, esta editoria possui duas subeditorias: Pesquisas e Legislação. A primeira acolhe estudos diversos, enquanto na segunda se compilam leis, decretos e normativos referentes aos dois segmentos de que se ocupa o jornal. Dito isto, pensamos, pois, que o compromisso está assumido e o porquê da especialização está justificado. Porém, se as razões aqui evocadas não forem suficientes, recordemos então as assertivas palavras de Nelson Mandela, “a Educação é a arma mais poderosa para mudarmos do mundo”, e reflictamos se existe no mundo de hoje uma alternativa melhor do que o Jornalismo para servir de munição à arma de que falava o icónico líder sul-africano.






